Crônicas

Minhas crônicas (não é sobre minha vida que escrevo)... Nem são tão boas assim mas lembre-se da história do Tenor e o Barítono- O tenor cantou sua ária tão mal que tomou uma vaia, dessas que destroçam qualquer carreira. Mas ele não se apertou e avisou: "Vocês não sabem o que vem por aí. Esperem o barítono!".

2004/12/31

Comecei a refletir sobre tudo o que ocorreu neste ano.
Droga, Ano Novo acaba por fazer você relembrar coisas que já tratou de esquecer a tanto tempo.
Passei por tantas coisas que me marcaram como nunca aconteceu antes, mas também que me fizeram mais forte, madura e revelaram uma Marina que eu não conhecia.
Dia 22 de Abril: paradoxo.... Como esquecer este dia e ao mesmo tempo lembrar exatamente o que ocorreu? Como ficar livre desta angustia?
Ainda não consegui absorver tudo o que passei, as pessoas que perdi, a dor que ainda teima em existir. O aprendizado que adquiri, a possibilidade de saber mais sobre mim e a surpresa que tive com relação à minha reação quando minha terapeuta me abandonou.
Varzea. É verdade, minha terapeuta me abandonou no meio do tratamento, disse que não queria se sentir responsavel por mim. Agora entendo que isto também me ajudou a crescer, percebi que somente eu sou responsavel por mim e pelos meus atos.
Que até tenho ajuda de pessoas maravilhosas, mas a responsabilidade pela dor é minha e eu tenho que aprender a conviver com tudo isso e tentar conviver pacificamente com minha mente.
Se tivesse que definir 2004 seria o ano do auto-conhecimento e da dor que isso traz. Com relação a 2005 eu espero que traga novas respostas, novos aprendizados e cada vez mais ousadia....

2004/06/06

Transtorno de Ansiedade Generalizada, Sindrome do Panico, Depressão moderada.
Este foi o diagnostico recebido por ela naquela tarde. Acompanhado, é claro, pelo sorriso da medica já prescrevendo os remedios que deveria tomar e marcando a próxima consulta.
Ela saiu do consultorio sem reação, no rosto não havia nenhuma expressão, as lágrimas escorriam e tudo parecia pertencer a um filme.
Ela? Como assim? Sempre tão feliz com tudo, independente, forte, uma rocha que enfrentava os problemas sempre de frente. De uma hora pra outra, havia perdido o controle de algo que nem ela sabia que precisava de controle.
Percebeu que muitas coisas começaram a acontecer do nada, estava magoando tantas pessoas e perdendo os encantos de sua personalidade.
Voltou caminhando para casa, pensando se realmente estava doente, afinal agora não estava sentindo nada... Mais tarde percebeu que esta é uma doença diferente, não são sintomas fáceis de identificar. Acontecem do nada, para o nada. Não entendeu o porque disso tudo.

Há mais de dois anos não escrevi mais neste blog.
Muitas coisas aconteceram que me afastaram deste mundo virtual.
Entrei na faculdade, comecei a trabalhar, passei por momentos dificeis que doeram mas acima de tudo me fizeram crescer.
Pretendo escrever mais vezes, para compartilhar o que aprendi durante este pouco tempo no hospicio do universo (como eu apelidei o nosso mundo).

Marina

2002/01/29

Ano Novo sempre me assusta. Fico temendo as promessas que fiz e que certamente não cumprirei (como a maioria dos mortais).
Só que dessa vez exagerei. Prometi ser uma pessoa melhor. Sabe qual o verdadeiro sentido dessa promessa?? Mudar a minha vida toda! Não que eu seja uma discípula do diabo, mas ser uma pessoa melhor é algo que, além de se prometer entre vinhos e Ano Novo, implica em mudanças drásticas. Tais mudanças que só pretendo encarar quando for bem velhinha e almajar uma vaga no céu. Enfim acabo de lembrar-me que não assinei nada no ato da promessa.... No próximo Ano Novo prometerei não comer mais jiló (já que odeio isso fica mais fácil de cumprir)

2001/12/20

A janela e o velho
Infelizmente da minha varanda não vejo belas vistas, apenas mais dois prédios. Em um desses mora um velho
cujo principal divertimento parece ser espiar os acontecimentos em meu apartamento e, provavelmente, nos outros também.
Pode ser a hora que for, manhã, noite, madrugada... lá está ele, parado, olhando por uma fresta da janela.
Talves inveja as outras vidas, talves diverte-se em imaginar que sabe sobre pessoas as quais sequer notam sua existência.
Eu noto. E algumas vezes me incomodo com isso.
Outro dia acenei para ele, como não obtive resposta decedi esquecer a educação e fazer um gesto não recomendável.
Ele dançou.. Não era muito nítido seus movimentos até porque eu não o enxergava muito bem, porém sim, era uma dança.
Será que o solitário velho é louco? De qualquer modo isto agora me preocupa, terei eu desrespeitado um doente mental?
Ou teria ele primeiro invadido a vida de outra doente mental?
(ass: Marina por ela mesma)

2001/12/19

Antítese.
Sabe o que ela queria? Vinte e quatro horas de felicidade. Estava cansada de ocilar sempre entre sorrisos e lágrimas.
Pois bem, por que tudo era tão difícil? Será que não era boa o suficiente para merecer um dia inteiro de alegrias?
Provavelmente não. Certamente não.
Se amava não era inteiramente, se queria não era inteiramente, se sonhava não era inteiramente.
Faz me lembrar da velha história de um barco que por não saber a direção a tomar, afundou-se sem chegar a algum destino.
Ela não teria um destino. Viveria sempre em busca do que ela própria não sabia. Porém agora estava cansada de planejar e de sonhar, iria aceitar o que viesse, os dias cheios de alegrias e tristezas. Talves um dia receberia vinte e quatro horas de felicidade, talves não, todavia já não se importava mais.
(ass: Marina por outros)

2001/12/15

Ontem ela descobriu o quanto uma pessoa pode ser prepotente. Talves ele tivesse razão no que havia dito.
Algumas vezes a verdade é muito cruel, porém necessária.
O primeiro menino que quase a decifrou, de anjo tinha apenas o nome....
Temendo, por alguns instante, perder a barreira que construiu, e que a protege, ouviu:
És bela, alegre, espontânea e arrogante. Mas na verdade é delicada e sentimental, adoraria receber flores de
alguém que realmente a intenda.
Ela, já sem argumentos, gritou: Quem és tu? Que brinca de invadir as pessoas?
Chovia. O suficiente para molha-los e tornar seus corpos mais unidos...
(ass: Marina por outras vidas)

2001/12/13

O que leva uma pessoa a passar a escrever crônicas ou seus pensamentos às 2:00 da madrugada? Talves o vazio inesplicável que a assola, talves a felicidade momentânea. São coisas sem explicação.
Por que buscamos sempre o porquê? Será que já não são suficientes as explicações em metáforas que a vida nos dá?
Por que vivemos de filosofia barata para explicar como nos sentimos? Não seria mais fácil apenas sentir?
Não comigo. Em mim os sentimentos, as emoções e principalmente as ações explodem-se a todo momento, e estou sempre procurando uma explicação para tudo isso. Só que agora parei. Não de explodir. Explosão. Mas de buscar entender, para que continue explodindo.
Máxima de Lampedusa: "É preciso mudar para que tudo continue o mesmo"
(ass: Marina por outros)